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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Conselho de Cultura de Cariacica toma "posse" no Bar do Pantera


Artistas plásticos, músicos, escritores, pintores, poetas e artistas de todas as áreas vão se encontrar nesta sexta-feira, 7, no Bar do Pantera, em Campo Grande. É que o Conselho de Cultura de Cariacica biênio 2009/2011 toma posse no local, às 19 horas.


E nada melhor que confraternizar a cultura com arte produzida na cidade. As obras dos artistas plásticos Zuílton Ferreira e Irineu Ribeiro estarão expostas lá. Assim como será recitada a poesia de José Domingos Rangel e Fábio Leite. A MPB toma conta do ambiente com Edivan Freitas, Andrinho (Pele Morena), Emerson Xumbrega e Elson Nascimento. Após a solenidade, o palco ficará livre para os artistas de plantão.


“A escolha do local tem a ver com o próprio costume dos artistas locais. Eventualmente, esse é um bar onde muitos artistas se reúnem”, explica o diretor de Cultura de Cariacica, Hudson Braga.


O Conselho Municipal de Cultura é composto por membros da sociedade civil (artistas) e poder público. O objetivo é reunir a classe artística para fazer a discussão da política cultural do município, nos assuntos pertinentes à cultura de Cariacica.


O Bar do Pantera fica localizado na Rua Coronel Olímpio Cunha, em Campo Grande.


Obs1.: Por sinal o melhor bar da América Latina.

Obs2.: Será que essa "posse" é das boas?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Tente não ler o cinema: assista


Acabo de ler/assistir à maratona de “O Senhor dos Anéis”. Cansativo, mas para quem está de férias indefinidas é um bom entretenimento. Me perguntaram se os filmes levam os livros ao pé da letra. Nesse contexto gostaria de esclarecer uma coisa: li uma entrevista ou sinopse (não me recordo) com o roteirista Marcos Rey que, quando perguntado sobre as críticas aos filmes que são adaptações literárias, ele disse mais ou menos assim: ‘geralmente quem não gosta das adaptações literárias para as telas são críticos literários, que não entendem nada de roteiro!’

Ta explicado? Não? Vamos lá! Nunca espere dos filmes o que você leu nos livros.


Invariavelmente você vai se decepcionar. Película és uma cosa! Libro és otra! Assim como música não é sinônimo de pintura que não se pode comparar ao teatro que, por sua vez, não é televisão. Cada arte em seu espaço. Claro que todos juntos dá uma sincronia quase perfeita, porém não são a mesma coisa.


Baseado nessa teoria, falemos primeiro dos livros. Das vezes que assisti à uma adaptação, 70% já os havia lido (não foi o caso de “O Senhor dos Anéis”). Desses, somente uns 10% correspondeu às personagens que eu imaginei em minha leitura. “Asi és, compa!”. Sinta seus sentidos: ler é imaginar, assim como escutar o rádio. Quando você vê, muda a percepção. Bingo! Cada arte à sua maneira. Como eu já tinha assistido ao filme dos "anéis" e, muito tempo depois, li o livro, já tinha certa definição das personagens em minha cabeça.

Meu amigo Jorge também deu uma definição interessante ao mundo fílmico/literário de hoje: “Antigamente líamos para absorver idéias e imaginar o cenário. Hoje as pessoas assistem aos filmes e depois lêem o livro, com as personagens já prontas. Preguiça de pensar? De florescer a imaginação?”.


Portanto, tente assistir à um filme sem pensar muito no livro. O roteirista não é o escritor, e vice-versa. Lembre-se de que o filme é adaptação. Por falar nisso, terminei de ler o segundo livro “As Duas Torres”. O problema é que eu vi o último, “O Retorno do Rei”, em DVD e já não estou mais muito interessado em lê-lo. Vou seguir o conselho de meu amigo: primeiro leio, depois assisto, mas com outros olhos.

GOSTO É IGUAL...


Várias vezes escutei de pessoas que só tem um gosto musical, frases do tipo: “aquele som é uma merda. Isso que ouço é que é legal”. Fiquei curioso! O que define uma coisa boa de outra ruim. A meu ver, cada um tem seu gosto, mas me parece que quando abrimos os ouvidos para uma novidade ou para certo tipo de música, nos sentimos melhores (na verdade, eu me sinto melhor).
Veja um exemplo: o Sertanejo Universitário. Desde pequeno escuto o que hoje chamam de sertanejo de Raiz ou Caipira: Tonico e Tinoco, Léo Canhoto e Robertinho, Pena Branca e Xavantinho, para citar alguns. Nos anos 80 estourou o Sertanejo Comercial, com Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Zezé de Camargo e Luciano. Não que eu não gostasse, mas acho que de tanto ouvir nas rádios tomei ojeriza destes nomes. Porém, há músicas deles que ficam na cabeça durante décadas. “É o amorrrrrr...”.


Agora vem esse outro fenômeno comercial intitulado Sertanejo Universitário. É bom? Não sei. No entanto a influência do rock e do folk neste novo ritmo, me chamou a atenção.
Escute “Ciumenta” de César Menoti e Fabiano ou “Tem que Ser Você” de Vitor e Léo (que me lembra o Ritchie, dos anos 80) ou, ainda, “De tanto te querer”, de Jorge e Matheus e, se você tem um pouquinho de percepção musical, vai entender do que estou falando. Esse é o grande barato da música no século XXI. Variação! E com requinte!


O que falar de Marcelo D2, com o Acústico MTV (Samba e Hip Hop); Los Hermanos (Samba e Rock); Gustavo Macaco (Folk Rock); Latino (Sertanejo Funk); Café Tacuba (Salsa Cumbia Regional). Nos 60 Caetano gravou Vicente Celestino e Roberto Carlos, dizendo que precisava experimentar. Até o Led Zeppelin misturou música indiana e orquestra sinfônica em seus arranjos!


Lembrando para os mais conservadores que vários grupos de Hard Rock e Heavy Metal também fizeram suas misturas. O Sepultura já gravou com Zé Ramalho, O Rappa e Titãs. Os novatos são os que mais inovam: o Fresno fez parceria com Chitãozinho e Xororó (???). Quer coisa mais estranha que isso?


Pois é, gente! Estamos na era da inovação. Invente! Reinvente! Bata tudo no liquidificador! Miscelânia! Algumas dão certo, outras não! Portanto, escolha bem entre o novo e o velho. Entre o gostoso e o duvidoso. Entre a qualidade e o conteúdo. Não precisa ouvir um disco inteiro de quem você não gosta, no entanto não precisa ficar metendo o pau se, no fundo no fundo, você curtiu aquela “balada triste que ‘te’ faz lembrar alguém...”.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Feliz Cidades



Fim de ano. Festa, comemoração, realizações. Claro que nem todos tiveram seus projetos realizados. Muitos foram por água abaixo (vide Vila Velha e Santa Catarina). Outros tentaram, tentaram e também não completaram seu objetivo (nos jogos olímpicos aconteceu com muitos atletas). Lógico que muitos desses atletas tiveram seus feitos realizados. E muitas pessoas de outras áreas.


As eleições – aqui e nos EUA – tiveram seus altos e baixos. Vimos que o povo está cada vez mais consciente de que o voto não é coisa que se compra (ou vende). Não é barganha. É um exercício de cidadania. Mas ainda assim alguns políticos “viciados” se elegeram em seus cargos. E continuam vivendo à custa dos impostos da população. Quem sabe daqui uns 100 anos os políticos tenham consciência de que estão na vida pública para serem parceiros do povo e não para encher os próprios bolsos.


O crescimento econômico no Espírito Santo e no Brasil foi fantástico, porém me causa arrepios vendo que, mesmo com esse “poderio econômico”, pessoas sofram com a fome, com o desemprego, com a indignidade, com o preconceito, com a falta de moradia, com o moral baixo.


Acredito que 2009 trará mais alegrias do que tristezas; mais compaixão que desunião; mais avanços que atrasos; mais futuro para a nação. Altos e baixos todos devemos passar, pois a vida não é perfeita como sempre queremos. No entanto, “sonhar não custa nada, na se paga para sonhar”.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Comunidades x Cidades

Caminho. Chego 40 minutos depois. Onde estou? Talvez o paraíso! Bem! Não é o paraíso, pois não há chuveiro com água “caliente”, fogão ou geladeira. Mas esse tipo de paraíso é para quem não conhece a vida real! Sim! Queremos conforto! E quem disse que em uma comunidade indígena não há conforto?! Para os indígenas, sim! Talvez para alguns ocidentais tomar banho no rio, cozinhar à lenha, andar 1 km para buscar água potável, seja demasiado desconfortável. E se perguntam: Como conseguem, esses índios, viverem assim?

“Así és, compa!” Vivem desta maneira há séculos. Claro que com interferência do homem branco. Em algumas comunidades já há eletricidade. Em outras não. Todos se vestem com roupas da cidade. E o que os diferencia dos demais seres humanos? Sua luta! Luta diária por liberdade, dignidade, por suas terras, por sua cultura.

Estou em Bolow Ajaw, comunidade zapatista que faz parte do caracol de Morélia, Chiapas, México e vejo essa luta dia a dia. É o terceiro dia, de uma semana, e vivo/convivo com eles, aprendo sua língua (Tzeltal) e seu modo de manter suas terras. Esta comunidade, que se localiza nas Cascadas de Água Azul, conquistou suas terras em 1994, porém, somente em 2003 foi povoado por indígenas autônomos zapatistas e. ao que parece, vieram para cá por que o governo quer transformar toda esta área em ponto turístico.

Agora, estando aqui, entendo a luta. O lugar é bonito! Incrivelmente bonito! E com terrenos cultiváveis. Entendo “pues” por que o governo quer tomar essas terras, por que fazem uso de forças paramilitares para isso.

Para muitos de nós, estrangeiros de vida confortável, talvez seja uma luta sem sentido, que realmente deveriam transformar tudo em um parque eco-turístico. O que tenho a dizer é que nós, ocidentais, deveríamos estar aqui para entender que esta luta não é em vão.

São séculos de apropriação de terras, de escravidão, de mortes indígenas. Se parece muito com a luta dos negros no Brasil e, numa escala menor, a luta do MST. A diferença na terra do samba é que ao invés de revolução, fazemos carnaval.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Brigada 53

As brigadas de CAPISE consistem em fazer investigaçoes e anotaçoes sobre problemas ocorridos em comunidades zaptistas. A Brigada 53 esteve uma semana visitando cinco comunidadesque pertencem ao Caracol V, de Roberto Barrios, Chiapas, México. Nada de muito grave aconteceu nesses locais, mas o grande aprendizado que tivemos fica para o resto de nossas vidas.

Conheça um pouco mais da Brigada 53: http://br.youtube.com/watch?v=LALUDQpqeYY

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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Brigada 64 - Parte II




…mais um banho de rio. Mais classes de capoeira. Desta vez sabíamos que iríamos à outra comunidade e sem as “redilas” – transporte que nos levou a San Manoel, e que são como caminhonetes. Fomos caminhando para Benito Juarez. De acordo com o comppa Moises em um “ratito” estaríamos lá. Eu sempre desconfio dos “ratos” zapatistas onde meia-hora podem ser hora e meia. Foi o que se sucedeu. Caminhamos com nossas pesadas mochilas por 1h30 ate Benito, que também esta localizado no município de San Manuel.

Chegamos às 5 da tarde (hora de Deus, pois no México estamos em horário de verão). Mortos!!! Muito cansados!!! As mulheres tem uma disposição enorme, por que antes de descansarmos fomos direto a cozinha preparar a “cena” (jantar). Uma espécie de churrasqueira a lenha foi o bastante para fazermos arroz, cenouras e sardinhas. Agora sim! O bendito descanso! Para não dormirmos no chão colocamos tabuas de madeira sobre as mesas e bancos que haviam na escola (estávamos instalados na escola da comunidade). Em San Manuel nos instalaram na igreja.

Uma noite mal dormida com bois e touros batendo na porta e mosquitos, carrapatos e pulgas nos mantedo acordados. Levantamos as seis, pois às 8h ha aulas. Rearrumamos a escola e fomos tomar cafe. Mais tarde o comppa Belisario levou a mim e as danesas a um rio. Pra variar ele disse que o rio estava “cerca”, ou seja, perto. Caminhamos quase meia-hora e chegamos às margens de um rio sujo e vazio. Mas valeu a pena. Pegamos umas mangas verdes e comemos com sal.

Benito Juarez è muito pobre, quase não ha água e a unica mangueira disponivel fica aberta todo o dia (um desperdício!). As crianças não brincam muito pois, depois das aulas, tem que ajudar suas mães a abastecer suas casas com água. Passamos o resto da quarta-feira aguardando o responsavel que se chama Gerardo. As chicas estavam um pouco impacientes e eu já acostumado com o “tempo” zapatista. Por falar nisso, acredito que eles não dividem seu tempo em horas e sim, em momentos. Por exemplo: manha, tarde, noite. Então, quando dizem “ahorita”, “un ratito” ou “asi es” podem ser meia-hora ou cinco horas.

Asi fue! As 5h30 da tarde veio o comppa Gerardo com seu “tocaio” (xará) e “empezamos” a entrevista. As 6h30 estava tudo “listo” (pronto). Voltamos então ao tempo zapatista. Comemos arroz, cenouras, cebolas e atum e de sobremesa banana da terra assada. Ah! Havia tortillas com “frijol” também. Um jantar dos deuses. Tortilla è como uma massa de pastel feita de milho. È como o pão que comemos todos os dias, no entanto os mexicanos comem isso em todas as refeições. È um vicio! Tortillas e chille!

Esta noite descansamos bem e recebemos a noticia de que vamos a outra comunidade na quinta. Patria Nueva, se chama. “A mi me gusta” estar nestas comunidades zapatistas. Adquirir novas experiências. Os indígenas tem seu próprio tempo, língua, cultura e não querem perder suas terras, suas dignidade e liberdade. Querem apenas viver a sua maneira. Não è fácil explicar isso pra quem tem pensamentos ocidentais como nòs. Temos que ver, aprender e usufruir da maneira indígena zapatista de ser.