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terça-feira, 20 de julho de 2010

GASTRONOMIA E AMIGOS DE VÁRIOS LUGARES


Nunca me dei conta de que comer alimentos variados iria me fazer tão bem. Geralmente não falo nem penso em comida todo o tempo, mas tenho que confessar que esse assunto me chamou a atenção nas duas últimas semanas. Jacaraípe domingo - Aniversário da Dona Aneci, dos Balester. Sempre me avisaram que ela era uma "bruxa" na cozinha - pratos diferenciados para todos os gostos.

De entrada tive o prazer de me deliciar com uma torrada ao azeite e alho - complementado com um pimentão azeitado, pepino em conserva, pasta de alho e outra pasta de ingredientes variados, com palmito sobresaindo. Ah! Como esquecer da batata gratinada. Hummm! Como a família é espanhola, o prato principal foi baseado na comida criolla (combinação da cozinha espanhola com os ingredientes de Cuba). É o caso do moros y cristianos, um cozido cubano de feijão-preto com arroz branco, porco e condimentos. Teve também chicharrones (torresmo) e raízes bem brasileiras: mandioca, cará roxo, batata doce, acompanhados de tomates, molho de cebola, alface e por ai vai.

De sobremesa: casca de mexirica e jaboticaba em calda, bolo de chocolate, goiabada e sorvete de abóbora... só de lembrar dá aguá na boca. Fora os sucos - caqui com laranja, mate com limão bem batido no liquidificador e um coquetel de goiaba, morango e leite condesado. Parecia bruxaria mesmo: fiquei enfeitiçado (e balofo). Ao final só faltou uma rede e um cigarrinho.

Sábado Ubú-ES - praia é sempre bom, com uma moquequinha de cação (com direito a moqueca de banana, pirão e pimentinha) e um peroá frito completo (e barato), fica melhor ainda. Depois uma sesta com o filhote...precisa de algo mais??? Melhor que essa gastronomia só a companhia de alemães, capixabas e mineiros.

Quinta em Mata da Praia, Vitória -ES - A companhia agora é de um mineiro que morou 10 anos em Portugal. Para variar nos encontramos e fomos direto ao bar (no caso aqui um restaurante - Oxente! - de comida nordestina entre Mata da Praia e Bairro República). E tome cerveja! A certa altura de estômago vazio me lembrei de comer. Pedi um acarajé, que foi uma janta. Por R$ 6,00 jantei muito bem. Parecia um cheese tudo de buteco de final de rock. Satisfeitíssimo mais uma vez com as companhias (pois o cunhado chegou logo depois) e com a saliva.

Mata da Praia também, na segunda - Foi um dia tenso. Fiz 4 programas (para que não confundam, trabalho na Rádio Universitária) sendo que o último, o Clube da Boa Música, dos pai e filho Oswaldo e João Paulo Oleare, foi como convidado. Depois de 2 horas de um set list de vinil com tema sobre os anos 80, estava exausto e com fome, quando recebi o singelo convite de Don Oleare para fazer-lhes companhia em uma adega. Não me fiz de rogado e aceitei o convite. Tomamos um Pequeno Pintor português acompanhado de uma "caponata" à base de beringela. Sem palavras... Quando ja estava pronto para ir embora o escanção trouxe mais um vinho (não me recordo o nome) e sugeriu uma costelinha de porco para acompanhar. Fiquei mudo...

Boa comida em boa companhia é sempre muito bom.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Filme horror digerível

Receita para se fazer um filme com custo pequeno: coloque na mesma panela alguns caranguejos, a gosma de “A Volta dos Mortos Vivos”, o sangue de Tarantino, o suspense de Hichcook, os efeitos do cinema atual, a disposição da equipe, com uma pitadinha de humor e misture tudo num mangue. Está pronto “Mangue Negro”.


A aparência não parece das melhores, mas o gosto não é duvidoso. É bom! Aliás, o filme de Rodrigo Aragão é muito bom. A maquiagem então!!! É muito além do “terrir”. É algo, imagino eu, difícil de se fazer. Afinal não estamos em Hollywood. Estamos em Guarapari - ES, mais precisamente na praia do Perocão. Tem que ter muita imaginação (e um puta roteiro). Aliás como contou o ator, músico, cozinheiro e técnico Walderrama dos Santos (ou Vinicius¿), “nesses 03 anos de gravação o roteiro tinha sempre que ser adaptado, pois alguns atores tinham que viajar ou faltava verba para alguma cena.” Por causa da falta de grana, inclusive, é que Walderrama (ou será Vinicius¿) jogava em todas as partes da equipe. Assim como o diretor, que é o dono da casa, o editor, o zumbi...

Zumbi!!! Esqueci de falar! O filme é sobre zumbis. No entanto não é mais um filme de mortos vivos. Bom, é, mas não é muito. Tem uma conotação com a poluição no mangue, um alerta para a preservação. Tem uma locação fantástica e atores inspirados. A Dona Benedita, interpretada por André Lobo é uma “benção” (a maquiagem perfeita). O Agenor, do Markus Konká, mostra o que um bom ator é capaz de fazer até dentro d’agua. O personagem Luís da Machadinha, que é o Walderrama (ou será Vinicius¿) e se torna o anti herói caricato, porém destemido, que a todo tempo quer se declarar à amada, Rachel, interpretada pela atriz Kika de Oliveira, ganhadora do Prêmio Omelete Marginal 2009. Todo o elenco está afinado.

O que gostei mesmo foi das falas não convencionais, do herói que tem pressão baixa, da “bruxa” que entende de rezas e misturas, mas não tem certeza se vai ajudar na recuperação de alguém. Pessoas comuns e não construção de personagens que sabem tudo, que são melhores que os outros. Pessoas normais fazendo filmes de zumbi (são, mas não são muito). O Cineclube Colorado está de parabéns por apresentar, no Bar do Pantera, em Cariacica-ES, trabalhos audiovisuais feitos no ES.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Independente de Boa Vista: Trabalha e Confia

Venceu a simplicidade, o trabalho de anos, a comunidade. Esse foi o retrato deste carnaval 2010, na Grande Vitória. Fora a bagunça e a desorganização, sobressaiu o conjunto, a harmonia e a sensibilidade da população de Cariacica. Parabéns Independente de Boa Vista! E que fique uma lição à Liga e às escolas em geral: uma agremiação não se faz somente com apelo da mídia ou apoio das elites. Sem a presença da comunidade, não há carnaval. O dinheiro e a publicidade ajudam, mas nunca vão substituir o suor, o sangue, as lágrimas, a emoção, a paixão por seu sonho, pelo seu trabalho, por onde você mora.


Toda obra começa por baixo, porém não esqueça de que sem esta parte de baixo, a obra desmorona. E os cariaciquenses já vem construindo essa base sólida há 35 anos. O enredo da Boa Vista vem a calhar: “Nem tudo o que reluz é ouro, nem tudo que balança cai”. Enquanto o futebol e o carnaval capixaba continuarem “amadores” e sem organização, continuarão sem prestígio e arranjando confusão. Pobre Espírito Santo: reflexo da política provinciana que não se atualiza e não percebe que o interesse do povo deveria estar anos luz à frente do interesse do próprio político. Vide a saúde e a segurança em “Estado” precário. Por tudo isso, foi merecida a vitória de nossa pobre (porém honrada) Cariacica.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Dois em um




É muito estranho as ruas e avenidas da Grande Vitória. De repente tem quatro vias e logo a frente se “transforma” em duas. É o caso da entrada para a segunda ponte, vindo de Cariacica e de Vila Velha. Em Jardim América, tem quatro pistas e, entrou na ponte, são duas. Vindo da Lindenberg, a mesma coisa. E o mais esquisito: duas pistas de Cariacica e duas de Vila Velha são quatro que, no meio da Ponte do Príncipe se “materializa” em duas de novo! Que surreal!

Na Fernando Ferrari, em Vitória também está assim. Das três faixas novas em toda extensão passam para duas quando atravessamos a Ufes em direção à Goiabeiras. Acho que quem projetou esses trajetos tinha uma idéia de “Projeto Arquitetônico Encurtante”, um novo conceito em se expressar de maneira a deixar a já estressante situação dos motoristas, mais excitante ou mais extenuante. Só pode!


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Faça o que tu queres pois é tudo da lei (fi-lo porque qui-lo)


Fim de ano é dureza. Assim como é o fim de semana em dezembro. Doido para ficar em casa descansando e temos N festas e confraternizações nesse período. No sábado visita à sogra. Acaba perdendo a rabada que seu irmão fez. Domingo visita à vovó pela manhã e confraternização da empresa à tarde. Durante a semana amigo x com os colegas da outra empresa, amigo sacanagem com os da empresa da esposa, churrasco dos amigos na sexta, compras de natal no sábado, praia no dia seguinte, casamento do amigo, show de graça, cachaçada na sequencia, natal na casa dos parentes em BH, comemoração pelo cd que o amigo gravou, réveillon na Barra do Jucu, mudança de programação da rádio, carro na oficina, casa por limpar, fralda do neném, fila do banco, #r%$¨*&aralho!!!


Vou voltar para Massachusetts! Vou criar galinha no sítio ou então vender pulserinha na praia. Ganho mais: calma, saúde, disposição, tempo, alívio. Ainda chego lá! Se bem que há uma vantagem nisso tudo: não dá tempo de assistir televisão. Ufa, que alívio!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Futebol tem que ser algo bom de se ver



Parabéns ao Flamengo, ao São Paulo, ao Internacional e ao Cruzeiro! Mas convenhamos! Esses times não representam em nada o melhor do futebol brasileiro (será que vai ser assim na Libertadores?). Os 6 primeiros colocados (incluindo Atlético Mineiro - que terminou em sétimo - e Palmeiras) não deram nenhuma demonstração de superioridade, de superação. São, na melhor das hipóteses, medianos. Poderíamos dizer que o campeonato estava no mesmo nível para todos. Porém, não é esse o questionamento. O Flamengo realmente deu uma guinada com a entrada do técnico Andrade (depois dizem que técnico não interfere no resultado). No entanto dizer que o time rubro negro é o melhor??? Difícil acreditar.


Não se empata (Fla) e nem se perde (SP) do Goiás quando se está na reta final do campeonato. O que Goiás estava disputando? Do Palmeiras e do Galo...sem comentários. O Cruzeiro também é uma piada (mas está na Libertadores). O Inter teve um pouco mais de futebol, pois contava com os melhores jogadores do campeonato. Acabou decepcionando também.

Quem teve o melhor futebol do Brasileirão 2009 foram: Barueri, Avaí e, na reta final, Fluminense. E que arrancada!!! Jogando o fino da pelota, com um toque de bola envolvente e com o desespero correndo ao lado, o tricolor deu um show nessas rodadas finais. Foi bom de ver! E, sinceramente, não era nada divertido ver um jogo dos seis da frente. Era sofrível! Mesmo se perdesse (o que não foi o caso) nos 10 últimos jogos, o Flu teria apresentado o que há de melhor no “mundo” do futebol brasileiro. E ai que vem os outros dois que citei lá em cima.


Assisti pouquíssimos jogos do Avaí e quase nada do Barueri. Mas o que vi valeu mais do que tudo que averigüei do Cruzeiro, por exemplo. Velocidade, habilidade, técnica, virtudes que os “da elite” não tiveram. E olha que são times praticamente desconhecidos. Os “grandes” deveriam aprender um pouco mais com os “menos grandes” e melhorar a pontaria. Só assim para não fazer o torcedor dormir no domingo a partir das 17h. Mesmo assim: parabéns ao campeão brasileiro ! (Ah! E não esqueça (m) de reforçar o (s) time (s) para o ano que vem).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Futuro da Cultura

Por falar em diversidade, durante todo o mês de novembro (e dias 4 e 5 de dezembro) aconteceu o Curso de Diversidade Cultural, em Cariacica. O curso foi trazido pela Prefeitura junto ao Observatório da Diversidade Cultural, de Belo Horizonte. Excelentes professores e ótima freqüência, o que significa que não só da área de cultura, mas pedagogos, pessoal da educação física e do serviço social estiveram nas aulas, no Centro Cultural Frei Civitella.


Essa é minha reclamação: a grande maioria dos agentes culturais do município não compareceu. E é essa grande maioria que vive reclamando de não termos uma política cultural mais envolvida pela cidade. Não podemos fazer “políticas” públicas para a cultura sem a presença de pessoas interessadas. Esperar para quando ficar pronto (daqui 10, 20 anos talvez) é muito fácil. Difícil é estar envolvido. São essas mesmas pessoas que reclamam do método da Lei João Bananeira. As mesmas que se injuriam porque o poder público não ajuda a montar um palco.


E por que essas mesmas pessoas, que se autodenominam agentes culturais, não colocam a mão na massa e participam das questões socioculturais de Cariacica? É tão bonito e reconfortante ver gente de várias áreas debaterem, analisarem e chegarem à uma conclusão de um bem comum: a cultura para todos. Entender a diversidade, a complexidade da arte, aprender como gerir a mesma, como produzir, como trabalhar em equipe com idéias divergentes, como atuar como estrela, sem ser uma.

Artes plásticas, música, audiovisual, índigenas, dança, educação física, cidade, serviço social, artesanato, museu, bairro, patrimônio histórico, comunicação, folclore, poder público, história, sociedade civil... Muito bom ter tod@s um ideal: um futuro promissor para a cultura cariaciquense.